Muito aprendi este ano! Aprendi com os meus amigos, aprendi nos escoteiros, aprendi com o meu trabalho, aprendi com as pessoas que conheço e tenho de lidar.E muito se aprende no local de trabalho! A lidar com pessoas, sejam pais, crianças, colegas, chefe, amigos. Muito se aprende sobre as relações que devemos, podemos, não devemos e eventualmente as que acabamos por ter uns com os outros.
Aprendi:
...que os que se dizem meus amigos muitas vezes me desiludem, me dizem coisas que me magoam; alguns porque acham que isso me ajuda, outros por pura luxúria ou estupidez.
...que as pessoas que merecem mais de mim são também as que me dão mais; que as que me desiludem pouco ou nada têm.
...que eu também sou capaz de magoar alguém de quem gosto, sem ter esse objectivo; que perdi uma amizade este ano e que ainda me custa muito viver com essa realidade, que é diária pois trabalho com essa pessoa. Espero que ela um dia consiga perdoar-me.
...que quero voltar atrás e refazer algumas atitudes, pensamentos, julgamentos de valor, mas que não posso.
...que sentir arrependimento é muito mau.. faz-me sentir mal e entristece-me.
...que nem sempre consigo perdoar, posso tentar, esforçar-me, mas a minha relação, forma de pensar e sentimento muda depois do acontecimento.
...que a minha opinião muda, e bastante, conforme o ponto de vista e a situação em que me encontro, que muda conforme a minha maturidade muda, que poucas ficam imutáveis durante muito tempo.
...percebi que as pessoas são diferentes, percebi que temos de nos adaptar, percebi que a mesma situação aplica-se de forma diferente conforme as pessoas que dela fazem parte.
...percebi que a maior parte das pessoas ou são demasiado egoístas ou são demasiado pisadas.
...que as pessoas não são 100% más nem 100% boas, algumas têm fases em que nos são fiéis e noutras alturas não se pode confiar nelas; numas alturas estão do nosso lado, noutras no lado oposto. E aprendi que temos que aprender a viver com elas e a relacionarmo-nos com elas. Nem tudo é preto, nem tudo é branco, há muitos e muitos cinzentos com quem temos de lidar diariamente.
...há muitas formas de pensar, muitas maneiras de ver a mesma coisa, e que a maior parte das pessoas não tem os valores definidos como os meus.
...que não é por uma pessoa ser ou ter sido "escoteiro" que a faz ter os mesmos valores que eu e que a faz agir conforme o que acho eticamente normal.
...que mesmo pessoas em quem não confio, com quem não gosto de trabalhar, pessoas que não lhes dava qualquer tipo de responsabilidade fazem parte da minha vida, e tenho que saber lidar com essa situação.
...que consigo ultrapassar determinadas desilusões e lidar com elas diariamente.
...que sou mais forte do que pensava, mas mais sensível do que quero.
...que me tornei mais fria para quem me desilude/magoa, que não sinto remorsos e sinto-me indiferente se essa pessoa que me fez mal está mal com algo.
...que tenho de jogar com as cartas todas do baralho, ou seja, que em determinados grupos de pessoas não tenho forma de ignorar algumas pessoas, pois trabalho com elas e tenho de lidar com elas todos os dias. Mesmo que essa(s) pessoa(s) seja uma(s) besta(s).
...que tenho que engolir alguns sapos (bastantes até), se quero continuar empregada.
...que nem sempre consigo engolir sapos no local de trabalho; e outras colegas perceberam que eu não quero ter de o fazer, e como tal luto pela igualdade o máximo que posso.
...que não tenho que engolir sapos com as pessoas que andam na rua e me respondem mal.
...que não tenho que engolir sapos das pessoas que me são próximas apenas porque fica bem.
...que estou mais respondona para as pessoas se sinto que me estão a prejudicar.
...que os amigos dos meus amigos não são necessariamente capazes de serem meus amigos.
...que posso e devo dizer o que me chateia a quem me chateia; as pessoas não gostam, mas eu fico a sentir-me bem melhor.
...que se eu cuidar e preocupar-me mais com o que sinto e menos com o que os outros sentem que fico melhor, em paz de espírito e mais equilibrada. Os outros mais cedo ou mais tarde deixam-nos ficar mal, mesmo que não o queiram; não vale a pena esse esforço.
...aprendi que os outros também crescem, também mudam, que por essa razão também me fazem mudar os meus sentimentos por eles.
...aprendi que prefiro estar sozinha do que ser mal amada, mal tratada ou pouco respeitada.
...aprendi que devo exigir mais dos outros se me dedico, e se não mo dão também não os quero ter por perto.
...que se quero ajuda que tenho de contar apenas comigo ou pouco mais.
...que quando mudamos, as pessoas à nossa volta mudam também, ganhamos alguns amigos, perdemos outros.
...aprendi que só fazemos parte da vida de quem nos quer por perto. E que não se pode obrigar ninguém a gostar de nós.
...aprendi que fazer caridade com as pessoas que nos rodeiam, desgasta e cria relações em bases instáveis.
...aprendi que também há pessoas que nos surpreendem pela positiva e que ganhei algumas amizades.
...aprendi que sou mais importante, mais inteligente, mais bonita, mais interessante do que eu julgava. E que devo-me valorizar mais, pois se eu não me valorizar mais, ninguém me valorizará.
1 comentário:
tanto que aprendeste. que podes ensinar?
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