Voltei a sentir o bichinho por escrever aqui!
O meu blog é uma espécie de diário-não-diário em que gosto de falar sobre mim, sobre o que me acontece, sobre a minha visão do mundo, o meu interior, e de discutir comigo própria, deixando-o registado em algum lado. Ajuda-me a organizar as minhas ideias e a perceber o caos que existe cá dentro. Isto é o que faço constantemente na minha cabeça e às vezes é mesmo exaustivo. Mas é assim que sou, que cresci a ser, e por mais complicada que sejam os caminhos do meu cérebro, do meu raciocínio, e da minha emotividade, foi sempre assim que vivi. Aprendi a aceitar mas tento sempre melhorar a pessoa que existe em mim.
Isto não significa que eu seja um bloco denso de alguma coisa, em que não me possa mudar, modificar as minhas opiniões ou quem eu sou, como reago, ajo, como desejo agir, como quero agir. Desde sempre que tenho a opinião de que as pessoas se educam a si próprias, a partir do momento em que têm consciência de que pensam e podem opinar. Isto mesmo apesar das confusões todas, políticas, sociais, e mais uns "ais" que possam existir, ainda vivemos num país onde as nossas ideias, pensamentos e opiniões, não são condenadas e castigadas. Sou livre de pensar que o sol é cor-de-rosa se assim me apetecer. O problema é meu. Posso é ter algum distúrbio, mas isso já é outra história.
O meu ponto aqui é, eu sou uma pessoa moldável, mutável, volátil, entusiasta, apaixonada, intuitiva e densa. Sou densa no meu carácter, mas minhas convicções, nos meus valores, ainda que possam alternar na sua ordem de importância, dependendo da fase da vida em que me encontro. O que eu valorizava em criança valorizo em adulta. É tão simples quanto isso. Aprendi a ser moldável pois sou bastante opinativa, e nem sempre as pessoas aceitam as opiniões dos outros. Aquela (in)capacidade de encaixe geral. Considero que a minha é bastante ampla. Tive de me adaptar ao mundo em que vivo se quero que a minha opinião seja ouvida, e isso significa dizer o que considero importante, de uma forma adaptada ao receptor. Nem sempre posso ser meiga, tal como nem sempre posso ser bruta. Se não lavrar a terra antes, a semente que lá cair não dará qualquer plantinha.
Sou bastante sensível e isso fez-me tomar essa opção, na forma como verbalizo ou demonstro a mensagem que quero passar. Nem sempre tiveram esse cuidado comigo, nem sempre me disseram as coisas de forma adaptada a mim. O resultado foi ter-me sentido magoada demasiadas vezes. Talvez necessárias ao meu crescimento, mas preferia não ter passado por elas. Como tal, se não gostei de passar por aquelas situações todas, se sofri demasiado com elas, além da mensagem passar, prefiro aliviar o sofrimento das pessoas que me vão ouvir. É um 2 em 1.
Apesar das minhas questões todas de inseguranças e medos, sempre achei que tinha mais maturidade para a idade que a vida me dava em determinados momentos. Não é nada fácil viver assim, um pouco à frente dos meus pares. Fazia-me sentir que tinha de me infantilizar se queria ser aceite e estupidificar-me um bocadão. Sim, um bocadão. Não estou a ser arrogante, nem "nariz empinado" mas bolas, muito raramente tive dificuldade em compreender algo, fosse ela racional ou emocional. Curiosamente sempre consegui ser aceite, ter amigos que ainda hoje guardo, mesmo que o meu interior fosse o que ainda é, tumultuoso como as ondas revoltas numa tempestade em alto mar. Às vezes tenho paz, momentânea, noutras ando a batalhar uma verdadeira guerra de incompreensão interior. O que mostro aqui é apenas uma parte do que se passa cá dentro.
Sou volátil. Embora consistente em valores e carácter, a minha opinião pode mudar, consoante a informação que tenho e a experiência de vida até ao momento. Não que ande a mudar como o vento, mas acho que nada é estanque, tudo muda, tudo é movimento e não podemos ser sempre iguais, pois a vida não é igual e a ideia é aprendermos com ela. Se tivermos sempre a mesma opinião sobre tudo é porque não aprendemos nada, ou porque não andamos a ter experiências enriquecedoras.
Sou intuitiva, muito. Há coisas que sinto e baseio muitas atitudes que tenho nelas, porque sinto que o deva fazer. Não é bem pensado, nem sei bem de onde vêm, mas sinto que é por ali o caminho e raramente me engano. Sinto-o muitas vezes também e especialmente em relação a pessoas. Isto dá-me alguma espontaneidade e impulsividade, mas normalmente não me arrependo.
Apaixonada sou. Se não estiver apaixonada a minha vida é estupidamente insossa. É como viver sem objectivos. É como sair à rua sem saber para onde vou, no meio de uma tempestade e ainda o caminho ser mauzinho. Não falo especificamente de paixão por um homem. Basta-me estar apaixonada por algo que gosto de fazer, por um trabalho ou uma actividade que naquele momento estou a desempenhar. Mas para viver, tenho de sentir "aquela coisa". E há muito tempo que não sentia paixão por nada. Há mais de 2 anos que não me sentia apaixonada por nada na vida. Talvez mais até. Desta vez é por um homem. E isso traz-me vontade de paixão pela vida no geral. E é bom.
Tirando as minhas crises existenciais, quase constantes, sinto-me como não me sentia há muito tempo: feliz.
Sem comentários:
Enviar um comentário