segunda-feira, 28 de março de 2011

"Ninguém deve actuar racionalmente por uma emoção"

Deveria sentir-me feliz, não é?

"Quase Gosto da Vida Que Tenho" de Pedro Paixão, é um livro do qual me sinto atraída com alguma curiosidade. Talvez porque a frase que dá nome ao livro, é como me sinto agora, eu Marta, quase gosto da vida que tenho.

Continuo a sentir-me perdida em mim própria, no meio de objectivos indefinidos que tenho, a adiar um rumo que tem que ser meu, criado por mim, desenhado por mim, e apenas por mim.

E no entanto tenho adiado. Talvez porque tenha que tomar decisões e as decisões podem magoar.

A minha professora de filosofia diz que "o ser humano é racional" e que todos temos uma "coerência antropológica" da qual "não podemos fugir".

Portanto, a coerência antropológica da qual não podemos fugir funciona assim, por esta ordem (são 9 etapas):

Na dimensão sensorial temos 4 etapas:
1ª - A Sensação;
2ª - A Percepção;
3ª - A Emoção;
4ª - A Imagem.

Na dimensão racional temos 2:
5ª - O Conceito;
6ª - O Juízo.

Na dimensão voluntária temos mais 3:
7ª - As Escolhas;
8ª - A Decisão;
9ª - A Acção.

Isto basicamente significa que, temos sensações com todo o nosso corpo; com elas apercebemo-nos do mundo que nos rodeia; sentimos emoções como reacção a essas sensações, que podem ser positivas ou negativas; as imagens, quando vividas tornam-se memórias, quando construídas torna-se a imaginação. A estas imagens associamos os conceitos e a estes os juízos de valor. Dos juízos fazemos as escolhas, sempre em termos de comparação, sempre uns em detrimento dos outros. Com base nestas escolhas decidimos. Somos obrigados a fazer escolhas. Mas nada disto nos serve se não agimos depois da escolha, sem a acção, de que nos vale decidir se não a pomos em prática? A acção é a última etapa do nosso agir racional.

Como disse alguém: "estamos condenados à liberdade".

Quando agimos com base na emoção faltam-nos alguns passos, agimos de cabeça quente e não na nossa racionalidade. Por isso quando alguém comete um crime passional se diz "não estava em si, agiu emocionalmente".

Seremos menos evoluídos os que agem com base num impulso, num instinto, numa emoção? Talvez, ou talvez apenas está incompleta no processo, ficamos a meio se não agimos racionalmente.

Há muitos seres humanos a meio do processo. Vivem intensamente, mas pela metade.

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