Encontrar a alma gémea, para mim, foi um anagrama da palavra alma, que "carinhosamente" troco para LAMA. Sim, o meu querido e adorado D. com quem tive um relacionamento relativamente curto, mas que me deu 5x mais de dor e sofrimento do que propriamente alegrias. Sim, estive um ano e 3 meses praticamente a conseguir ultrapassar essa "sensação" de "Lama" gémea.
Uma merda é o que é. Nunca mais na minha vida quero voltar a sentir o que senti com ele. Homem cobarde, sem pingo de consideração e respeito pela minha pessoa, foi a conclusão a que cheguei durante esse processo doloroso e frustrante que foi a recuperação da minha sanidade mental. Isso e ter ouvido algumas palavras "sábias" de algumas pessoas como, (gozem, eu própria me ridicularizo), "vocês ja tiveram um relacionamento noutra vida que não resultou por alguma razão externa" e "vocês têm um casamento espiritual, que significa que as almas gémeas são quase 100% iguais, as poucas diferenças que têm, têm a ver com a vivência da vida actual e com o karma que carregam, as almas de casamento espiritual são-no a 95%, significa que não são a mesma alma mas que já tiveram relacionamentos noutras vidas e têm de resolver o que não funcionou para poderem avançar o crescimento espiritual. As outras almas (relacionais) são as comuns, convivem e encaixam uma na outra, superam as suas diferenças para se melhorarem como seres humanos e avançarem na escada espiritual." "Ele vai voltar para ti, deixa-o ter os relacionamentos que precisa para perceber quem realmente importa e valorizar-te." Balelas. E acreditei eu nelas (confesso, com a desconfiança nos píncaros e lema de "ver para crer", foi o que me valeu.)
Sou adepta das leituras de cartas porque eu própria sou fascinada por elas quando as leio para alguém. Raios partam os Arcanos Maiores que acertam em tudo ou quase tudo com uma exactidão de meter medo a qualquer pessoa com 2 dedos de testa. Mas sim, a minha prof de tarot lançou-me a roda da vida várias vezes durante esta espera de recuperação do "grande acidente", que foi o D., sempre com a mesma opinião que o vidente meu vizinho "ele volta, dá tempo, ele gosta de ti embora não o admita." Verdade verdadinha, as minhas acertam bem mais do que qualquer outra pessoa que já me as leu.
Valeu-me dona e senhora espanhola, a bruxa maga do meu coração frágil, que quando este ano, em Fevereiro, me leu as cartas, disse "Marta, o D. não é homem para ti. É instável, tem uma filha da puta de uma mãe que não o deixa ser feliz ao lado de ninguém, não tem dinheiro, não tem estabilidade emocional nenhuma, não sabe o que quer, é confuso. Que raio queres tu com uma pessoa assim? Não é disto que precisas. Ele também é aquário, precisas é de um homem terra, estável, que sabe o que quer e que te valoriza. E vai aparecer-te essa pessoa em breve, não te preocupes, vive a vida. Ah! e precisas de dar umas quecas, de aprender a ter sexo sem compromisso para te libertares dessa merda o mais rápido possível." Foram as palavras mais sábias que ouvi no ano e meio que as precedeu. Graças a Deus, aos anjinhos todos, às bruxas todas do universo, às estrelas e planetas, asteróides e afins, que ela me disse o que eu mais queria ouvir: que ele não é o homem para mim. Depois de um caminho estrelar de tanto sofrimento, depois de terapia de regressão às vidas passadas com uma senhora fantástica, eu não queria mais voltar àquele lugar que me destruiu. Destruiu momentaneamente, fez com que 2011 fosse um ano para apagar da minha vida. Considero-o um castigo divino por ter dado com os pés a uma pessoa extraordinária em 2009. Deus, o meu castigo está pago, não te esqueças.
Feliz por ter ouvido as palavras da minha bruxa espanhola que vive no Porto há 25 anos, no meio de "hijo de puta", "putas que pariu", "corno de merda", e algum outro palavreado típico, não poderia sentir-me mais capaz de encerrar o caminho do sofrimento que percorri nos meses todos para trás. Tive a confirmação, naquela leitura, naquela conversa (mais do que na leitura), que não era mesmo aquilo que eu queria. Estava agarrada a uma imagem que algures no passado me deu uns vislumbres de felicidade momentânea.
Sei bem que o destino não está traçado, e que as cartas não dizem "vai-te acontecer isto e aquilo" e que eu não sou apenas uma mera espectadora do que vai acontecer. Para mim, são uma fotografia, uma análise da realidade, do que irá acontecer se me mantiver naquele caminho e não quiser/fizer nada para o modificar. Mas eu quis, foi em Novembro que o apaguei do fb cheia de coragem e que tirei um peso dos ombros monumental. Estava encerrada aquela porta, cheia de fechaduras, cadeados e correntes. E parti para o início de uma nova vida, mas tinha mesmo de fazer uma limpeza séria aos resquícios de malvadez não intencionada que aquela pessoa me deixou na vida, e as cicatrizes com que me marcou na alma, outrora Lama. Já há muito tempo que eu não o queria de volta. Falava com a R. e dizia-lhe "Se ele voltar, como é que alguma vez o vou conseguir perdoar de toda a merda que me fez e de esquecer toda a mágoa que senti?" e a resposta era clara na minha cabeça e no meu coração, embora tivesse grande dificuldade em admiti-lo. Eu não o queria de volta. Por mais que ele fosse a minha Alma gémea, a merda de filha de putice que me fez sentir com a inércia e falta de atitude, o meu abençoado orgulho não me poderia deixá-lo voltar a entrar na minha vida. Perdoar talvez, esquecer, não sei se o queria, é sempre bom lembrar do mal que os outros nos fizeram, não para nos corroer por dentro, não para ser uma pessoa amarga, mas para o guardar como informação e arma de protecção para o próximo filho da puta que me apareça a frente e me escangalhe o coração em pó. Nessa leitura tive a última confirmação da minha decisão, e eu só queria ouvir o que ela me disse, eu não queria mais ter esperanças de ficar com um homem que naquele momento já considerava o verdadeiro traste. Sentia que nunca mais iria ser feliz ao lado dele, logo, iria voltar para ele? Nunca, jamais em tempo algum. Doeu, pouquinho, mas foi o corte da última amarra.
Digamos que, resumidamente, ele é ou era uma pessoa cheia de problemas naquela cabeça, vulgo, minhocas do caralho que o foda. Só me fez sofrer. E é com orgulho em mim própria e na minha capacidade regenerativa que posso afirmar que depois de tudo o que passei e de tudo o que consegui ultrapassar, sou uma pessoa um pouco mais fria, menos inocente, mais forte, mais madura, e muito menos estúpida. Também sou perfeitamente ciente do que quero na minha vida e que tipo de homem quero. E o D. não é, com toda a certeza, a pessoa que encaixa nos meus objectivos de vida, nem como homem, nem como amante, nem como companheiro, nem como o pai dos meus filhos.
Se soubesse o que sei hoje, nunca teria tido qualquer
relacionamento com esse ex-marido espiritual. E para a puta que o pariu
em todas as encarnações.
Só estou a escrever sobre ele, porque me deu a saudade de escrever no blog. Raramente me lembro dele, mas quando o faço não é com mágoa nem tristeza, é com alívio e segurança de não voltar a cometer os mesmos erros.
Fim da etapa malfadada, algures em Fevereiro de 2012. Foi tarde, foi um caminho fodido, mas estou mais que curada.
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