quinta-feira, 26 de junho de 2008

Vamos jogar?

Reparo lá na escola, certas diferenças nas atitudes das crianças.
Ando a fazer algumas experiências, ou melhor, as coisas acontecem como normalmente, eu é que começo a reparar em certos aspectos.
Quando precisamos de fazer equipas, 4 equipas mais precisamente, peço a 4 crianças para me ajudarem a fazê-las. O truque aqui é escolher 4 líderes naturais para que funcione, pois se escolhesse uma criança que não é líder podem acontecer 2 coisas: ou as crianças dessa equipa elegem naturalmente outra criança como líder ou dispersam e a actividade não resulta. Também não convém juntar 2 ou mais líderes na mesma equipa porque dá mau resultado: há guerra ou dispersão ou acabam esses à pancada. E os outros elementos ficam desnorteados e não sabem como reagir e desistem do jogo ou tomam lados e a guerra torna-se maior. Há certas misturas que não se podem fazer, ou corremos riscos.
Mas continuando, escolhi 4 crianças, 2 rapazes e 2 raparigas. Reparei que os rapazes têm tendência para escolher os melhores para ganharem o jogo, as raparigas escolhem pela amizade. Ambos os grupos escolhem baseado nas relações afectivas mas enquanto os rapazes escolhem os amigos que jogam bem em detrimento dos amigos que jogam mal, as raparigas escolhem as amigas não interessa que sejam as piores a jogar, mas o que interessa é serem as amigas.
Depois, no decorrer do jogo, enquanto as raparigas jogam e dão a bola aos elementos da sua equipa que menos jogam (apesar de não lhes ajudar no resultado ou até prejudicar fazendo a sua equipa perder), os rapazes apenas a passam a quem sabem que vai marcar ponto ou acabam por jogar sempre os mesmos elementos desde que façam a equipa ganhar.
As raparigas quando se chateiam nestas situações amuam umas com as outras e fazem chantagens emocionais, o "já não brinco mais contigo", enquanto que os rapazes podem ficar com "mau perder", chateiam-se, dão umas bofetadas uns nos outros ou chamam uns nomes, mas pouco tempo depois querem lá saber e vão todos jogar à bola como se nada se tivesse passado. É engraçado reparar também que, os rapazes quando a sua equipa perde culpam sempre o árbitro, acham sempre que o factor que os fez perder é sempre externo, não aceitam as derrotas. As miúdas já não são tanto assim, perderam e geralmente aceitam-no.
Não digo que uns são melhores que outros, não é isso, apenas constato que as raparigas agem em função das relações emocionais que têm com as outras crianças enquanto que os rapazes são mais competitivos e lhes interessa mais o objectivo pois não vai interferir com as suas relações. Mas também os rapazes lidam pior com as emoçoes e com a frustração, com os problemas e as guerras entre eles, facilmente resolvem-nas à pancada, enquanto que as raparigas discutem, e nota-se um desenvolvimento diferente do deles. Não melhor, não pior, mas diferente. E todos têm ligações emocionais muito fortes.
É interessante observar estas reações.
Claro que, cada criança é única, o género não define o comportamento de todos, e as idades e o desenvolvimento de convivência entre eles tem tudo um papel crucial na influência das suas atitudes.

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