terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pneu, pneu, pneu

Terça feira, saio do curso, olho para o meu carrinho, e reparo que o pneu suplente estava furado. A Elda (amiga e colega de curso) em pânico "Então e agora o que vais fazer?". Eu, com a minha calma toda, ri-me, olhei para o carro e disse-lhe: "Bem, vamos beber um café que eu já penso no assunto.".

Sim, eu tinha o pneu a arranjar e meti o suplente a substituir, entretanto este também pifou, logo, apenas tinha 3 pneus decentes, e com 3 pneus apenas não se conduz um carro! Não tive outra hipotese, escusam de arranjar soluções ou pensar que eu poderia ter feito isto e aquilo, não. Esqueçam.

Liguei para a Assistência, veio o reboque, entrei no reboque.. enfim, jurei para nunca mais! O homem era completamente alucinado, o velocímetro não devia funcionar, porque ele ia a uma velocidade que eu sentia o estômao colado às costas e o coração na boca. Pensei, o caminho todo, "É hoje que vou morrer." Tentei distraír-me mandando mensagens a 2 ou 3 amigos mesmo numa de não pensar naquilo. Para ajudar à festa, ele era mais antipático que uma estátua de pedra.

Só quando passámos no Restelo e vimos o hospital veterinário é que o homem falou comigo. Isto porque quando lhe dei as indicações sobre a oficina falei nesse hospital, que ele não conhecia. Portanto, viu o hospital e começou a falar comigo, de coração, sobre o gatinho dele que tinha morrido ha uns dias e que se ele soubesse daquele hospital que o teria trazido ali. É um facto consumado, os animais são mesmo um elo de ligação emocional entre as pessoas e entre eles e nós. Sem qualquer dúvida. Está comprovado.

A partir da visão do hospital ele transformou-se. Tornou-se um ser humano com sentimentos e começou a falar normalmente, começando pelo gatinho e levando a conversa mais além. Nunca tinha visto nada assim. Naqueles escassos minutos fiquei a saber mais do homem do que jamais imaginei. Ou quis.

E lá fiquei eu, no Restelo, as 00h mais coisa menos coisa, à espera do meu irmão, que me foi salvar e levar-me a casa.

1 comentário:

Bruno disse...

Gostei da história do motorista do reboque da assistência. É assim que se constroem as grandes personagens: são feitas da antítese. E este era-o exageradamente, por isso gostei.