Há algum tempo que não escrevia algo sobre a escola e sobre os miúdos. Pois bem, hoje fiquei bastante afectada com uma situação.
Trabalho de sala:
- Postal para o dia do pai. Como fazer? Primeiro os miúdos escrevem numa folha de rascunho o que querem escrever para o pai, depois dou-lhes uma cartolina já dobrada, onde escrevem o texto devidamente corrigido lá dentro e pintam a parte exterior como querem.. Quem não tem pai, quem não se dá com o pai, pode escrever para outra pessoa, para um tio, um irmão, um avô, ou até mesmo uma mãe ou um melhor amigo.. Mas tinha de fazer algo, expliquei eu.
Até agora, nada de mais: um postal.
O Luís, assim que falei em "pai" disse revoltado: "Eu não faço, não quero fazer nada para o meu pai, não me dou com ele, não gosto dele".. "Tudo bem Luís, mas tens alguém de quem gostas e com quem tens uma relação mais chegada, não tens?"
Ficou de escrever para o irmão que vive na Irlanda..
O Luís é um miúdo que é difícil de lidar. Responde mal muitas vezes e com falta de educação, mas é mais a arrogância com que ele diz as coisas que chateia. Chateia mais ainda por ser um puto inteligente, com umas capacidades fabulosas e que vai acabar por se perder. Cada aula em que ele está é uma guerra.. ele está sempre em guerra com todos especialmente com a "autoridade", que neste caso sou eu.
Pouco tempo passou, olho para o Luís e tem os olhos molhados, com as lágrimas quase a saltar. Cheguei perto dele, para saber porque ele estava com aquela cara.. e li o papel. E passo a citar: "Eu só gosto de ti um bocado, tu tratas-me como se eu fosse um animal."
Ele referia-se ao pai. Embora soubesse que era para escrever para o irmão ele escreveu sobre o pai. Há algum grito de ajuda mais específico? Só que naquela aula, no meio de tantos, não poderia ficar a ter a conversa que precisava de ter com ele sobre ese assunto. Se calhar perdi a oportunidade. Espero que não.. tenho muita pena que o Luís se possa "perder" por todas as coisas boas de que é capaz de fazer, mas parece-me que o caminho que vai seguir não é o melhor.
E é assim, o exemplo masculino que ele tem, mais chegado, o trata desta maneira, é assim que ele vê o exemplo, e é assim que ele lida com os outros, mesmo que inconscientemente na escola. Está sempre revoltado, só sabe brincar a bater, e fá-lo imensas vezes.
É por estas e por outras, que quando me dizem que "tá na hora de teres filhos e assentar" e o raio que o parta, que eu olho para à minha volta, e realmente penso, "pôr uma criança o mundo, sem ter um pai presente ou com um bom exemplo a dar, sem eu ter uma vida estável e capaz de lhe dar as condições mínimas essenciais ao seu desenvolvimento, mais vale não ter e esperar mais uns anos". E é assim que eu penso, e cada vez mais tenho a certeza que estou a agir bem.
Trabalho de sala:
- Postal para o dia do pai. Como fazer? Primeiro os miúdos escrevem numa folha de rascunho o que querem escrever para o pai, depois dou-lhes uma cartolina já dobrada, onde escrevem o texto devidamente corrigido lá dentro e pintam a parte exterior como querem.. Quem não tem pai, quem não se dá com o pai, pode escrever para outra pessoa, para um tio, um irmão, um avô, ou até mesmo uma mãe ou um melhor amigo.. Mas tinha de fazer algo, expliquei eu.
Até agora, nada de mais: um postal.
O Luís, assim que falei em "pai" disse revoltado: "Eu não faço, não quero fazer nada para o meu pai, não me dou com ele, não gosto dele".. "Tudo bem Luís, mas tens alguém de quem gostas e com quem tens uma relação mais chegada, não tens?"
Ficou de escrever para o irmão que vive na Irlanda..
O Luís é um miúdo que é difícil de lidar. Responde mal muitas vezes e com falta de educação, mas é mais a arrogância com que ele diz as coisas que chateia. Chateia mais ainda por ser um puto inteligente, com umas capacidades fabulosas e que vai acabar por se perder. Cada aula em que ele está é uma guerra.. ele está sempre em guerra com todos especialmente com a "autoridade", que neste caso sou eu.
Pouco tempo passou, olho para o Luís e tem os olhos molhados, com as lágrimas quase a saltar. Cheguei perto dele, para saber porque ele estava com aquela cara.. e li o papel. E passo a citar: "Eu só gosto de ti um bocado, tu tratas-me como se eu fosse um animal."
Ele referia-se ao pai. Embora soubesse que era para escrever para o irmão ele escreveu sobre o pai. Há algum grito de ajuda mais específico? Só que naquela aula, no meio de tantos, não poderia ficar a ter a conversa que precisava de ter com ele sobre ese assunto. Se calhar perdi a oportunidade. Espero que não.. tenho muita pena que o Luís se possa "perder" por todas as coisas boas de que é capaz de fazer, mas parece-me que o caminho que vai seguir não é o melhor.
E é assim, o exemplo masculino que ele tem, mais chegado, o trata desta maneira, é assim que ele vê o exemplo, e é assim que ele lida com os outros, mesmo que inconscientemente na escola. Está sempre revoltado, só sabe brincar a bater, e fá-lo imensas vezes.
É por estas e por outras, que quando me dizem que "tá na hora de teres filhos e assentar" e o raio que o parta, que eu olho para à minha volta, e realmente penso, "pôr uma criança o mundo, sem ter um pai presente ou com um bom exemplo a dar, sem eu ter uma vida estável e capaz de lhe dar as condições mínimas essenciais ao seu desenvolvimento, mais vale não ter e esperar mais uns anos". E é assim que eu penso, e cada vez mais tenho a certeza que estou a agir bem.
2 comentários:
Fosse esse um caso u'nico... Tenho orgulho em ti pelo excelente trabalho que andas a fazer.
Muah!!
Hey John di meu corazon.. and I miss you so much! Beijos
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