sexta-feira, 1 de maio de 2009

406

Por falar em eutocarros, ontem às 18h, a minha colega do trabalho apanhou o 406 na Adroana em Cascais quando se deparou com uma situação estranhíssima digna de filme género Cidade de Deus ou familiar.

Pois bem, o autocarro ia a fazer o percurso de sempre quando entram 6 rapazes nos seus 18-20 anos, encapuçados e agridem brutalmente o motorista. Ela, na sua reacção instintiva de ir defender o morista, parou quando começam pedregulhos a cair para dentro do autocarro através dos vidros. Um deles partiu uma janela mesmo à frente de um idoso e estilhaçou-se de tal forma que ele ficou a sangrar brutalmente da cara. Ela parou, assustou-se e começou a recuar juntamente com todos os ocupantes do autocarro, quando começam a chover calhaus da calçada na parte de trás do autocarro! Com o pânico as pessoas começam a gritar, e baixam-se todas, género Segunda Guerra Mundial, com o alarme das bombas a cair, e atiram-se para o chão do autocarro. 

Uma miúda começa aos berros, completamente passada da cabeça, Catarina de 9 anos, sem estar acompanhada de um adulto, a minha colega agarra-a numa tentativa de a proteger e de a fazer sentir alguma segurança. 

Entretanto as pessoas gritam ao motorista (o desgraçado a levar porrada de meia noite) para que lhes abrisse a porta, e o homem abriu! Coitado, a levar tamanha pancadaria ainda conseguiu estar preocupado com os passageiros e abrir-lhes a porta! A minha colega liga para o 112 e uma outra senhora para a mãe da Catarina. Surreal.

Só sei que este filme acabou com a GNR a pedir o depoimento do motorista, com uma ambulância a levar o senhor ensanguentado e com 6 jovens adultos a rirem-se às gargalhadas, já sem capuzes.. sociopatas completos.

Bem que há um cartaz gigante à entrada do bairro que diz qualquer coisa como "ao próximo incidente num dos autocarros, a empresa deixa de fazer esta carreira". E isto tudo porque o motorista, rapaz novo, quando alguém entra sem pagar não arranca com a viatura. "Sr motorista, não vai andar?" "Só enquanto aquele sr. que acabou de entrar pagar ou sair". O facto de ser honesto e ter as regras rígidas dentro do seu autocarro, fez com que aquelas coisas o atacassem brutalmente. Sim, coisas, porque as pessoas de verdade não têm aquele comportamento.

E eu, trabalho ali, naquele bairro. Fiquei ontem na escola a fazer horas extra quase sozinha, apenas com a D.Rosa da limpeza a fazer-me alguma companhia.. e eu que disse à minha colega "Não fiques, vai-te lá embora que eu faço isto sozinha, escusas de chegar atrasada à aula de dança".. Acho que se lhe tivesse acontecido alguma coisa grave, que não me perdoaria. Mas.. eu não sabia se conseguia acabar o trabalho antes da hora dela apanhar o comboio para Lisboa, então preferi dar-lhe a segurança de ir embora sem risco de perder a aula. Mal sabíamos nós o que iria acontecer depois..

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