Durante este ano tenho vindo a perceber que no meio do caos consigo passar mais aprendizagens e obter melhores resultados e positivos do que tendo o modelo de aula tradicional (meninos sentados em silêncio a escutar e a olhar para um quadro).
Isto significa, que dependendo das turmas, das maturidades e de cada criança como ser individual, deixo-os ter alguma liberdade para se levantarem, cantarem uma canção, rirem, falarem, partilharem emoções.. desde que cumpram o seu trabalho dentro das minhas regras.
Sim, eu sou a professora que sempre quis ter! :D
Mas ontem tive uma aula surreal. Esta turma é difícil e com muitos problemas de comportamento e organização, com muitas disfunções e desiquilíbrios emocionais e familiares. Alguns deles estavam descontrolados. O J. é mentalmente desorganizado, diverte-se a corromper as aulas, a distrair os colegas e a estragar o material escasso que temos; o R. um sonso que faz a asneira pela calada e que passa o tempo todo a provocar o A. até que este se passa, e lhe espeta uma chapada bem enfiada. Só que nessa altura o R. tem as razões que precisa para lhe bater de volta. E está montado o circo. E a minha sala vira o Vietnam em plenos anos 70.
Controlei, como sempre aqueles estafermos, e ao mesmo tempo que estes filmes se passam tenho de controlar os outros 20 e orientá-los para o trabalho. Mas enquanto o fazia vi -me forçada a separar o A. do R. que já se tinham engalfinhado ao soco e pontapé. É só carinho. O J. ria-se, divertido com a situação de ver o R. fazer o A. perder as estribeiras à medida que estragava o trabalho que eu tinha acabado de fazer para ele continuar, e provocava o A. rindo-se dele e apontando-lhe o dedo. Pus os 3 de castigo. O J. ao meu lado, sentado junto a mim para não ter liberdade de asneirar. O R. e o A. sentei-os no chão, perto de mim e a uns 2 ou 3 metros um do outro. Basta-me olhar para eles que eles páram imediatamente de fazer porcaria. O problema é que tenho mais 20 naquela turma.
O R. resolveu continuar a provocar o A. nos momentos em que eu ia ajudar um aluno.. tinha a turma toda a pedir a minha atenção para acabarem o trabalho e sempre que eu me virava por míseros segundos o R.e o J. arranjavam forma de chatear mais o A.. Até que o A. sozinho já não dava pica e provocaram o T.. O T. resolveu meter-se ao barulho e o R. agarra numa cadeira e atira-a contra a cabeça do T., que se atirou para o chão a chorar agarrado à cabeça e a sangrar de uma orelha.
E aqui eu transformei-me em Ogre.
FODA-SE! Gritei com eles! Só me apetecia amarrar o R. a uma cadeira e amordaçá-lo, o J. que só se ria, atirá-lo pela janela, ao A. mandá-lo embora da sala para o afastar daqueles malfeitores e ao T. enchê-lo de gelo e uns ralhetes por se meter ao barulho. Fiquei aflita com o puto que só chorava.
Contive-me, mas dei-lhes uns berros bem gritados, mandei os outros embora pois já tinha tocado, e fiquei com aqueles parvinhos para ouvirem outro raspanete ainda maiora. Isto nunca aconteceu antes, e é tão raro entrarem em conflitos destes que eu não entendo o que se passou naquelas cabeças. Bem, entender até entendo, o pai do T. foi-se embora e ele anda descontrolado, a mãe do J. é toxicodependente e negligente e o pai, que tem a profissão de traficante, dá-lhe com cada tareia que ele volta e meia aparece de olho negro na escola.. o R. nem banho deve tomar, está sempre que nem um trapo, mas a mãe é uma miss.. pindérica.
Ontem saí da escola furiosa. E cansada, tenho que ter personalidades diferentes em cada turma e para cada criança. Para uns mais permissiva, para outros super rígida, e por aí em diante. E isto cansa.
E agora ando a pensar numa estratégia. E vou ter uma aula normal na semana que vem.
Isto significa, que dependendo das turmas, das maturidades e de cada criança como ser individual, deixo-os ter alguma liberdade para se levantarem, cantarem uma canção, rirem, falarem, partilharem emoções.. desde que cumpram o seu trabalho dentro das minhas regras.
Sim, eu sou a professora que sempre quis ter! :D
Mas ontem tive uma aula surreal. Esta turma é difícil e com muitos problemas de comportamento e organização, com muitas disfunções e desiquilíbrios emocionais e familiares. Alguns deles estavam descontrolados. O J. é mentalmente desorganizado, diverte-se a corromper as aulas, a distrair os colegas e a estragar o material escasso que temos; o R. um sonso que faz a asneira pela calada e que passa o tempo todo a provocar o A. até que este se passa, e lhe espeta uma chapada bem enfiada. Só que nessa altura o R. tem as razões que precisa para lhe bater de volta. E está montado o circo. E a minha sala vira o Vietnam em plenos anos 70.
Controlei, como sempre aqueles estafermos, e ao mesmo tempo que estes filmes se passam tenho de controlar os outros 20 e orientá-los para o trabalho. Mas enquanto o fazia vi -me forçada a separar o A. do R. que já se tinham engalfinhado ao soco e pontapé. É só carinho. O J. ria-se, divertido com a situação de ver o R. fazer o A. perder as estribeiras à medida que estragava o trabalho que eu tinha acabado de fazer para ele continuar, e provocava o A. rindo-se dele e apontando-lhe o dedo. Pus os 3 de castigo. O J. ao meu lado, sentado junto a mim para não ter liberdade de asneirar. O R. e o A. sentei-os no chão, perto de mim e a uns 2 ou 3 metros um do outro. Basta-me olhar para eles que eles páram imediatamente de fazer porcaria. O problema é que tenho mais 20 naquela turma.
O R. resolveu continuar a provocar o A. nos momentos em que eu ia ajudar um aluno.. tinha a turma toda a pedir a minha atenção para acabarem o trabalho e sempre que eu me virava por míseros segundos o R.e o J. arranjavam forma de chatear mais o A.. Até que o A. sozinho já não dava pica e provocaram o T.. O T. resolveu meter-se ao barulho e o R. agarra numa cadeira e atira-a contra a cabeça do T., que se atirou para o chão a chorar agarrado à cabeça e a sangrar de uma orelha.
E aqui eu transformei-me em Ogre.
FODA-SE! Gritei com eles! Só me apetecia amarrar o R. a uma cadeira e amordaçá-lo, o J. que só se ria, atirá-lo pela janela, ao A. mandá-lo embora da sala para o afastar daqueles malfeitores e ao T. enchê-lo de gelo e uns ralhetes por se meter ao barulho. Fiquei aflita com o puto que só chorava.
Contive-me, mas dei-lhes uns berros bem gritados, mandei os outros embora pois já tinha tocado, e fiquei com aqueles parvinhos para ouvirem outro raspanete ainda maiora. Isto nunca aconteceu antes, e é tão raro entrarem em conflitos destes que eu não entendo o que se passou naquelas cabeças. Bem, entender até entendo, o pai do T. foi-se embora e ele anda descontrolado, a mãe do J. é toxicodependente e negligente e o pai, que tem a profissão de traficante, dá-lhe com cada tareia que ele volta e meia aparece de olho negro na escola.. o R. nem banho deve tomar, está sempre que nem um trapo, mas a mãe é uma miss.. pindérica.
Ontem saí da escola furiosa. E cansada, tenho que ter personalidades diferentes em cada turma e para cada criança. Para uns mais permissiva, para outros super rígida, e por aí em diante. E isto cansa.
E agora ando a pensar numa estratégia. E vou ter uma aula normal na semana que vem.
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