Tenho um trauma com o BA que vocês não imaginam.
Há uns anos atrás fiz 8h seguindas no Pingo Doce a fazer pedidos a quem entrava lá para o Banco Alimentar, ao mesmo tempo que 16 crianças entre os 6 e os 9 anos faziam asneiras. Literalmente, asneiras atrás de asneiras. Não os condeno, foram demasiadas horas ali, embora repartidas em 2 metades assimétricas, em que eles estavam tão fartos que claro, a brincadeira era fazer asneira. Ou batiam uns nos outros, ou empurravam-se, ou atiravam-se para cima das pessoas feitos hienas atrás de carne. Eles eram um bocado selvagens..
Passei uma das maiores vergonhas da minha vida naquele dia. Odiei cada minuto daquelas 8 horas, cada momento interminável. Desejei inúmeras vezes não estar ali, que algum carro passasse no parque de estacionamento e me atropelasse, mesmo que não fosse grave, que assim teria de me ir embora. Estava sozinha e completamente desesperada, com vontade de lhes bater até ficarem inconscientes, pois nessa altura teria algum descanso. Os clientes e os trabalhadores já me olhavam com pena. O miúdos gritavam, pareciam histéricos, eu chamei-os à atenção durante as 12h que tive com eles naquele maldito dia. Ralhei, arranjei jogos para fazerem, inventei mil e um truques, que duravam minutos, meias horas, mas não foram suficientes. Dei a volta à questão vezes sem conta, mas o resultado não era duradouro.
Nesse dia tive demasiado tempo com aquele grupo de crianças. Estava tão cansada.. trabalhar com miúdos daquelas idades todos os dias, aos fins-de-semana e férias não é só violento, é um massacre. Acreditem que é. Muitos dos dias durante 24h.
Gosto de crianças, a sério que gosto, mas quando estou em situações limite só me apetece fugir, desaparecer, trocar de cara para que mais ninguém me reconheça, ou espancar alguém. E nenhuma destas é solução.
Este BA não foi nada uma divisão de tarefas justa, pois ninguém me quis ajudar com as crianças. Os outros dirigentes das outras divisões eram no mínimo 2 adultos, logo dava para que esta malvadez não fosse tão pesada.
Desde então não posso nem ouvir falar nisto! E sempre que vejo algo relacionado com o BA, ou se alguém fala no BA, ou seja o que for, fico com o estômago às voltas, enjoada e com dores de barriga. E todos os anos tenho que passar pela tortura de estar não sei quantas horas a fazer um trabalho que odeio, que me relembra de situações e me aviva memórias que preferia enterrar para sempre no canto mais obscuro do meu cérebro.
Este fim de semana é o último em que faço BA na vida.
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