sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Alegria!

Devo ser das poucas pessoas que conheço, que vai trabalhar feliz.
E dentro do mundo do ensino dos meus amigos, conhecidos e familiares, devo ser das poucas pessoas que gosta realmente do que faz! Considero-me afortunada.

O meu Padrinho é que costuma dizer: "Entrei na escola, tenho mais de 40 anos e ainda não saí de lá", e é uma verdade, ou não fosse ele professor de matemática.
Há muito que não escrevo nada sobre os meninos das minhas novas escolas, não tenho tido grande paciência nos dias em que tenho tempo, e nos outros.. é o tempo que me falta.

Quando comecei a dar aulas, andei um mês, mais coisa menos coisa, a ser testada pelos miúdos todos. Deixa cá ver até onde podemos ir com esta.. Mal sabiam eles que eu, e o meu método de regime militarista dentro da sala de aula, (pelo menos até os conseguir dominar), que comigo não tinham grande sorte. Eu cá agarro nos testes deles, viro-os ao contrário e depois quem é testado não sou eu :p Não fazem farinha comigo.

É verdade, alguns dias foram desesperantes, chegava ao fim das aulas com uma sensação de frustração intensa, de não ter conseguido dar aula nenhuma, de não ter "chegado lá", de não ter conseguido fazer grande coisa deles ou mesmo nada. E ainda por cima, ter dado uns berros, coisa que não acho muita piada fazer.

Agora, posso dizer que tenho uma estratégia para cada turma, e mais umas quantas para algumas crianças especificamente. Aquelas mais complicadas.. e dá-me um gozo enorme andar a pensar e a magicar formas, de conseguir levar a informação a determinado ser. Tenho oito turmas, com uma média de 23 crianças por cada.

Sinto uma alegria enorme, quando saio de uma aula depois de ter conseguido dar a volta àqueles miúdos, de os ter conseguido pôr a trabalhar, e de eles terem correspondido ao que eu peço interessados.

Uma coisa que sinto em ambas as escolas onde trabalho, é que os professores estão lá mesmo de coração. Horas extra todos fazem, eu farto-me de as fazer também, sem receber nada, mesmo porque sentimos a necessidade de dar. E sem isso, a escola não funcionava minimamente. Com miúdos de rua, de bairro social, habituados a ser um pouco tratados a pontapé, têm na escola uma segunda família. E nunca senti tanto isso como este ano.

As fotos do meu blog são todas tiradas da web.

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