Hoje o dia foi difícil.
Não ando praí deprimida nem nada do género, mas há momentos em que é realmente difícil lidar com a perda. Não da morte, nada disso. Nunca devemos olhar para as relações como algo garantido, e não falo em relações de amor. Neste caso falo de relações de amizade.
Há uns anos atrás, uma das minhas melhores amigas teve uma atitude que, para mim, foi imperdoável. Imperdoável ao ponto de não voltar a falar com ela. Grande cabra insensível, devem uns pensar.
Não vou explicar a situação, sinceramente não me apetece, mas posso dizer que (pelo menos eu funciono assim) há limites, e esses limites as pessoas que nos rodeiam e que dizem gostar de nós, têm que os respeitar. Por exemplo; não vou bater no filho de uma amiga: é um limite. Não vou seduzir o marido/namorado de alguém, possa conhecer a esposa/namorada ou não. São limites meus, que considero razoáveis e que não os ultrapasso.
Lógica Kanteana, diria o meu professor de Ética :p (aprendi alguma coisa hoje na aula! lol)
São os meus valores, é a minha forma de agir perante a vida. Há muitos outros. E ela ultrapassou um desses limites, e quando a confrontei, para confirmar se era verdade ou não, ainda me tratou mal e chamou uma data de nomes. Mais 2 limites que não posso aceitar que alguém os ultrapasse comigo. Portanto, tive pelo menos, 3 boas razões para cortar relações com ela, do meu ponto de vista, pois se não o fizesse estaria a atentar contra mim própria. Iria contra os meus valores pessoais, e isso não poderia fazer.
Tenho de viver comigo para o resto da minha vida, logo tenho de me sentir bem comigo própria, mais do que com outra pessoa qualquer. Além do mais, o que diz isso dela? Que amigo tem este tipo de atitudes?
Há alturas na vida em que temos que olhar para nós, ver o que não queremos ser e fazer um esforço para o mudar. É também importante olharmos para o nosso mapa do universo pessoal, e ver quais são as pessoas que consideramos planetas - as que se mantêm estáveis na nossa vida ou durante uma parte dela, e quais são cometas - que aparecem e desaparecem e não mais fazem sentido pertencerem à nossa vida, são as relações temporárias ou fugazes. Há alturas em que temos de olhar para quem nos rodeia e perceber quem nos faz bem e quem nos faz mal. Quem nos faz bem, devemos manter por perto, quem nos faz mal.. lixo.
Ela não me fez bem, lamento. Mais por ela do que por mim. A minha opção foi cortar relações. E não me ponho na perspectiva de um educador, que agora sou, mas as pessoas têm de aprender com a vida a não maltratar e pisar os outros. Especialmente de quem se dizia amiga. Até o considero ofensa se formos a ver. Pelo menos, na minha perspectiva de amizade não entram determinadas atitudes nem se ultrapassam limites. A verdade é que com isto fiz-me valer. Faltas de respeito.. não obrigada. Vai para 10 anos quase.
O que não me protegeu de sentir ainda algumas coisas, senti saudades dela nos meses após ter tomado a minha decisão. Senti saudades de conversar com ela e de rir, mas afinal, pesou muito mais o egoísmo da decisão que teve em tomar a opção que tomou, sem se importar minimamente com o facto de me ir magoar com ela (ela tinha a perfeita noção disso), sem me questionar, pois sabia qual seria a minha resposta, e mais, decidiu pôr de lado uma amizade que ia para quase 10 anos. Portanto, se ela viu a nossa relação de amizade como descartável, se ela tomou essa opção, porque razão iria eu decidir algo contra mim própria? Não me parecia de todo correcto para comigo. Ainda hoje não me arrependo da decisão que tomei.
Por isso é como digo, perdas há muitas. Há as que a vida nos provoca, como a morte. A morte de um ente querido, a morte de um amigo. A morte de um animal de estimação que valorizávamos imensamente. Há as perdas deliberadas e há os cortes de relacionamento. Há as perdas que fogem ao nosso controlo, como a minha melhor amiga ter ido morar para longe e termos perdido praticamente o contacto durante anos, quando desde os 3 anos de idade que éramos inseparáveis. Essa perda para mim, foi das piores que já passei. Em Setembro fui ao casamento dela :) e foi dos dias mais felizes da minha vida, vê-la feliz com o marido, fazer parte daquele dia, daquele momento, senti-la como quando éramos crianças e adolescentes. Foi muito bom, e ninguém me tira o que senti naqueles momentos.
Às vezes é difícil compreender que uma ausência é tão má como uma perda mortal. Quando o meu avô faleceu, sabia que não mais o iria ver. Sabia que nunca mais iria conversar com ele. Sabia que entraria em casa da minha avó e ele não estaria lá. Foi difícil, mas aceitei. Temos de aprender a lidar com perdas.
Tenho falado de uma perda. Namorado.. amigo.. ser humano.. não morreste, mas há momentos em que o sinto como se tivesse acontecido.
Não sei que tipo de perda és. Não sei se és uma perda temporária, se és uma perda definitiva. Não sei se perdi uma relação íntima para ganhar um amigo. Não sei como devo agir sequer. Não sei se devo pensar num "acabou para sempre", o tudo e o nada. Não sei se é apenas uma paragem, umas "férias" ou se é um "para sempre". Assim é difícil, sabes.
Vou pôr um "pause" e pensar que são umas férias. Espero mais tarde poder reatar uma amizade. Sim, seria estúpido não o fazermos. Estúpido ao nível de um QI de 10.
Às vezes sinto que preciso de chorar. Hoje é um desses dias.. preciso de chorar, mas não consigo.
Não ando praí deprimida nem nada do género, mas há momentos em que é realmente difícil lidar com a perda. Não da morte, nada disso. Nunca devemos olhar para as relações como algo garantido, e não falo em relações de amor. Neste caso falo de relações de amizade.
Há uns anos atrás, uma das minhas melhores amigas teve uma atitude que, para mim, foi imperdoável. Imperdoável ao ponto de não voltar a falar com ela. Grande cabra insensível, devem uns pensar.
Não vou explicar a situação, sinceramente não me apetece, mas posso dizer que (pelo menos eu funciono assim) há limites, e esses limites as pessoas que nos rodeiam e que dizem gostar de nós, têm que os respeitar. Por exemplo; não vou bater no filho de uma amiga: é um limite. Não vou seduzir o marido/namorado de alguém, possa conhecer a esposa/namorada ou não. São limites meus, que considero razoáveis e que não os ultrapasso.
Lógica Kanteana, diria o meu professor de Ética :p (aprendi alguma coisa hoje na aula! lol)
São os meus valores, é a minha forma de agir perante a vida. Há muitos outros. E ela ultrapassou um desses limites, e quando a confrontei, para confirmar se era verdade ou não, ainda me tratou mal e chamou uma data de nomes. Mais 2 limites que não posso aceitar que alguém os ultrapasse comigo. Portanto, tive pelo menos, 3 boas razões para cortar relações com ela, do meu ponto de vista, pois se não o fizesse estaria a atentar contra mim própria. Iria contra os meus valores pessoais, e isso não poderia fazer.
Tenho de viver comigo para o resto da minha vida, logo tenho de me sentir bem comigo própria, mais do que com outra pessoa qualquer. Além do mais, o que diz isso dela? Que amigo tem este tipo de atitudes?
Há alturas na vida em que temos que olhar para nós, ver o que não queremos ser e fazer um esforço para o mudar. É também importante olharmos para o nosso mapa do universo pessoal, e ver quais são as pessoas que consideramos planetas - as que se mantêm estáveis na nossa vida ou durante uma parte dela, e quais são cometas - que aparecem e desaparecem e não mais fazem sentido pertencerem à nossa vida, são as relações temporárias ou fugazes. Há alturas em que temos de olhar para quem nos rodeia e perceber quem nos faz bem e quem nos faz mal. Quem nos faz bem, devemos manter por perto, quem nos faz mal.. lixo.
Ela não me fez bem, lamento. Mais por ela do que por mim. A minha opção foi cortar relações. E não me ponho na perspectiva de um educador, que agora sou, mas as pessoas têm de aprender com a vida a não maltratar e pisar os outros. Especialmente de quem se dizia amiga. Até o considero ofensa se formos a ver. Pelo menos, na minha perspectiva de amizade não entram determinadas atitudes nem se ultrapassam limites. A verdade é que com isto fiz-me valer. Faltas de respeito.. não obrigada. Vai para 10 anos quase.
O que não me protegeu de sentir ainda algumas coisas, senti saudades dela nos meses após ter tomado a minha decisão. Senti saudades de conversar com ela e de rir, mas afinal, pesou muito mais o egoísmo da decisão que teve em tomar a opção que tomou, sem se importar minimamente com o facto de me ir magoar com ela (ela tinha a perfeita noção disso), sem me questionar, pois sabia qual seria a minha resposta, e mais, decidiu pôr de lado uma amizade que ia para quase 10 anos. Portanto, se ela viu a nossa relação de amizade como descartável, se ela tomou essa opção, porque razão iria eu decidir algo contra mim própria? Não me parecia de todo correcto para comigo. Ainda hoje não me arrependo da decisão que tomei.
Por isso é como digo, perdas há muitas. Há as que a vida nos provoca, como a morte. A morte de um ente querido, a morte de um amigo. A morte de um animal de estimação que valorizávamos imensamente. Há as perdas deliberadas e há os cortes de relacionamento. Há as perdas que fogem ao nosso controlo, como a minha melhor amiga ter ido morar para longe e termos perdido praticamente o contacto durante anos, quando desde os 3 anos de idade que éramos inseparáveis. Essa perda para mim, foi das piores que já passei. Em Setembro fui ao casamento dela :) e foi dos dias mais felizes da minha vida, vê-la feliz com o marido, fazer parte daquele dia, daquele momento, senti-la como quando éramos crianças e adolescentes. Foi muito bom, e ninguém me tira o que senti naqueles momentos.
Às vezes é difícil compreender que uma ausência é tão má como uma perda mortal. Quando o meu avô faleceu, sabia que não mais o iria ver. Sabia que nunca mais iria conversar com ele. Sabia que entraria em casa da minha avó e ele não estaria lá. Foi difícil, mas aceitei. Temos de aprender a lidar com perdas.
Tenho falado de uma perda. Namorado.. amigo.. ser humano.. não morreste, mas há momentos em que o sinto como se tivesse acontecido.
Não sei que tipo de perda és. Não sei se és uma perda temporária, se és uma perda definitiva. Não sei se perdi uma relação íntima para ganhar um amigo. Não sei como devo agir sequer. Não sei se devo pensar num "acabou para sempre", o tudo e o nada. Não sei se é apenas uma paragem, umas "férias" ou se é um "para sempre". Assim é difícil, sabes.
Vou pôr um "pause" e pensar que são umas férias. Espero mais tarde poder reatar uma amizade. Sim, seria estúpido não o fazermos. Estúpido ao nível de um QI de 10.
Às vezes sinto que preciso de chorar. Hoje é um desses dias.. preciso de chorar, mas não consigo.
Sem comentários:
Enviar um comentário